An Interview with a Sociopath (Antisocial Personality Disorder and Bipolar)

An Interview with a Sociopath (Antisocial Personality Disorder and Bipolar)

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Language: Portuguese

Type: Human

Number of phrases: 474

Number of words: 4788

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Como é ser você? Eu diria que é bem medíocre, pra ser honesto. Se você estivesse do lado de fora olhando, você diria que era bem chato. Porque na maioria das vezes eu não... Agora, o que eu tendo a fazer agora, eu costumo ater a mim mesmo porque eu tenho que ser muito cuidadoso sobre como eu estou interagindo com pessoas e em que contexto eu estou interagindo com as pessoas. Então eu costumo limitar qualquer coisa que seria negativo para mim. Por que você tem que limitar a si mesmo? Porque se eu encontrar um certo tipo de pessoa... E se eu estou falando com você e sinto um nível de fraquesa... Eu meio que tenho vontade de atacar isso de alguma maneira. Então, afim de mitigar isso, eu definitivamente limito minhas interações sociais. E eu tenho que me certificar que isso aconteça sob o contexto certo, caso contrário, eu tento me afastar disso. Eu tenho que ser totalmente transparente. Quando você me procurou e eu li seu diagnóstico... Eu pensei "Eu posso confiar nele?". "Posso dar a ele a plataforma do nosso público o qual eu me preocupo profundamente?"
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"Você vai tentar me manipular? Vai tentar manipular nosso público?". São preocupações válidas? São preocupações válidas, com certeza. Mas, como eu disse antes, eu diria que eu gosto do que você faz porque definitivamente as pessoas tem vozes que precisam ser ouvidas E eu odiaria atrapalhar esse processo de qualquer maneira Quando você fala em "atacar alguém" o que você quer dizer? Então, o jeito que funcionaria pra mim é... Eu vou falar com alguém, eu não vou realmente dizer muito sobre mim, ele vai me dizer sobre ele e, quando ele falarem sobre si mesmo, eu vou meio que formar uma personalidade. Eu vou exagerar certas características da minha própria personalidade para bater com o que ele está... Procurando ver... E aí, quando eu alcanço o meu objetivo, seja lá qual for esse objetivo, então eu meio que, acabei com a situação. Então eu sigo em frente. Eu já me senti estranho, desde que eu me lembro. E como era se sentir "estranho" tão jovem?
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Era um pouco interessante, eu diria. Porque você meio que é capaz de existir à margem. É como se você estivesse do lado de fora olhando. Sabe? Todo mundo está do outro lado do vidro da janela. Então meio que te dá a liberdade de assistir, de olhar e de observar, especialmente se você é uma pessoa naturalmente quieta. As pessoas podem esquecer que você está lá. Você se sentiu como um animal diferente? Uma espécie diferente? Não. Eu pensava que todos eram diferentes, quando criança. Quando criança, eu pensava que eles eram os estranhos. O que era estranho sobre eles pra você? Tipo, por que todos vocês... Eu acho... Por que vocês ficam tão tristes com certas coisas? Por que vocês ficam tão animados sobre certas coisas? Não é... Eu apenas olhava para aquilo como se não fosse natural. Eu não era realmente capaz de relacionar com outras pessoas e as pessoas ficariam extremamente bravas ou extremamente tristes... Eu diria, como uma criança, eu realmente ficaria aborrecido.
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Se as pessoas ficam muito felizes, ás vezes as pessoas ficam super empolgadas e pulam para cima e para baixo e batem palmas... Como uma criança, eu ficaria aborrecido com isso, porque é tipo "eu não entendo. Por que você..." "Qual o propósito dessa exibição excessiva?" "Não faz nada pra ninguém". Sabe? "Apenas o fato de que você tem boas notícias..." "As boas notícias não ficarão melhores se você pular para cima e para baixo por causa delas" Sabe? Então eu sentei e eu observei as pessoas... E vi como elas eram capazes de fazer as coisas e usei essas informações para enganar as pessoas. Fui capaz de enganar muitos dos meus professores. Foi tipo assim que começou a manipulação e a mentira. Eu era mais esperto que muitos dos meus professores. Eu inventava mentiras na hora. Tipo, eu entrava na aula e meu professor perguntava "onde está o dever de casa?", eu diria a ela "meu cachorro, ele foi levado às pressas para o hospital ontem à noite... chegamos lá tarde, às 3 da manhã e houve esse problema e aquele problema..." E eu nem tinha um cachorro. Eu nunca tive um cachorro. Então seria correto dizer que, quando você conhece alguém, você meio que analisa ela,
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e decide se a pessoa deve ou não ser manipulada. Não é "deve" ou "não deve" ser manipulada, se tiver algo que eu quero, eu farei o meu melhor para consegui-lo Desde que entrei aqui e começamos a conversar você já me avaliou... e analisou todas as minhas fraquezas e como poderia me manipular? Quero dizer... quando eu assisto seus vídeos eu penso sobre isso. Mas eu queria que isso fosse de uma forma mais honesta. Mas não. Eu não quero fazer isso. E também eu não ganho nada ao fazer isso nessa situação. Uma pessoa pode confiar totalmente em um sociopata? Eu diria que você tem que... Se essa pessoa é alguém com quem você realmente se importa, você deve passar tempo com ela e observar onde suas intenções estão, eu diria. E eu diria que... Na maioria dos casos você sequer saberia.
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Para ser honesto, você não saberia até que ela fizesse algo à você. Sendo honesto. Mas se você está conhecendo alguém como eu, que irá te dizer Que isso é o que eu estou passando por... Eu diria… Eu diria para observá-la Observe e veja como ela reage à certas coisas. Veja se ela está sujeita à explosões Veja se ela está disposta a mentir para você. Veja se está disposta a te manipular. Eu acho interessante que você disse que para confiar em um sociopata... Você deve observá-los e entender seu comportamento. Então é quase como se você quisesse que as pessoas agissem como você. Ou você só entende o mundo da sua perspectiva. Eu não diria que quero necessariamente que as pessoas ajam que nem eu. Da maneira que eu vejo, é mais sobre a sua própria segurança de certa forma. Se você está lidando com alguém que possui esses tipos de problema, eles possuem impulsos fortes. É nessa hora que a parte da observação entra, porque...
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Você nem sempre pode perceber algumas coisas como essas baseado em emoções. Eu sou muito bom em fingir emoções, então se você estiver se baseando no emocional, você não saberia. Quando você diria que foi a última vez que você manipulou alguém? -Por volta de um ano atrás. -Um ano? -Sim, por volta de um ano. -Como você passou um ano sem fazer isso? Eu apenas limito minhas interações sociais. Eu tenho certeza de que não estou lidando com um certo tipo de pessoas. Você sempre entendeu os efeitos negativos que a manipulação pode ter em outras pessoas? Não. Eu nem sempre entendi o porquê de pessoas terem reações adversas à isso. Porque, de certa forma, eu olhava para isso como se fosse um jogo, e você perdeu. Você se sente envergonhado sobre as pessoas que machucou no passado? Vergonha? Não necessariamente, mas eu vejo como se fosse inadequado. -Você sendo inadequado? -Sim. Okay. O que você quer dizer com isso? Baixa frequência. Ações de baixa frequência. Emoções de baixa frequência. Isso é tudo. É como eu vejo isso. Apenas que isso não ajuda ninguém. Acho que a ideia me serve.
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Eu consigo preencher uma sensação, mas aí depois tenho que preencher essa sensação de novo. Então você poderia dizer que até para mim não funciona. Então, quando você pensa sobre essas coisas logicamente dessa forma... e você ganha discernimento qual é o problema... Pessoas que têm esse diagnóstico... É difícil para elas terem discernimento quanto ao que outras pessoas estão sentindo. Você só tem que ganhar um pouco de discernimento, eu diria. Quais são todos os seus diagnósticos? Bom... Quando se trata de transtornos de personalidade antissocial, especificamente... Você pode ver bastante sobreposição com condições diferentes. Então, no meu caso, eu tenho transtorno bipolar, tem o transtorno de personalidade antissocial... E também tenho alguns traços de transtorno de personalidade limítrofe. Tipicamente, uma pessoa com transtorno de personalidade antissocial... Se ela está sendo diagnosticada é porque... Ou alguém próximo à ela pediu porque foi machucado pelas suas ações,
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ou ela fez algo ilegal e agora tem que ver alguém. Por que você procurou a terapia à princípio? Porque por um bom tempo eu estava passando por... Basicamente, episódios bipolares. Então, era incomum para mim porque haveria momentos em que eu estou, tipo... Sentindo um pequeno nível de felicidade. Um tipo de felicidade evidente, e então haveria essa depressão profunda onde eu não queria sair da cama, ou ficarei essencialmente zangado, ou ficarei tão "entorpecido" que, basicamente, gostaria de estar morto em certas circunstâncias. E isso foi incomum para mim porque, durante toda minha vida, eu estava acostumado a não sentir muito. E eu sinto que o transtorno bipolar resultou do distúrbio antissocial da personalidade. Eu sinto que veio de mim... Apenas... Eu acho que tentando exageradamente sentir que eu era uma pessoa comum. E então nunca funcionou por muito tempo porque, para que você tenha pessoas próximas a você, por um longo período,
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eles vão descobrir que algo está errado. Você teve algum medo de contar ao mundo seu diagnóstico? Não.. Porque, quer dizer... Eu já fui chamado de todo tipo de coisa, então eu não acho que isso realmente faz diferença pra mim. Isso não muda minha vida de qualquer maneira. Não. Você tem algum tipo de reação emocional quando as pessoas te chamam de coisas negativas? Depende. Sabe? Porque se é algo onde, eu acho que você poderia dizer que estou "tentando ser genuíno"... porque nem sempre estou manipulando e mentindo para as pessoas com a intenção de enganá-las. Às vezes eu faço isso para deixá-los confortáveis. Então, se estou fazendo todo esse esforço para ser algo para torná-lo mais confortável, e não é recebido, isso pode ter um efeito em mim. -Você sorriu alguma vezes nessa entrevista. -Sim. É algo que você faz para eu me fazer sentir mais confortável? Sim. Eu sorrio muito. Especialmente se...
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Eu estiver conversando regularmente, você pode me ver assim na rua. Sim, eu vou sorrir muito. Desarma as pessoas. As deixa mais confortáveis. Você tem a capacidade de sentir empatia por outros? Não da mesma maneira que as pessoas em geral. Digamos, por exemplo, se alguém veio até você e te disse: "Minha avó faleceu ontem à noite". Você pode se sentir intrinsecamente triste quando lhe dizem isso. Sabe? Você pode sentir quase como se sua própria avó falecesse. Para mim, não é assim. Eu não digo que "não me importo", isso é áspero. Mas não me entristeço ao ouvir isso. Então, em vez disso, o que terei que fazer é ter que entender logicamente: OK. Este é um evento em que as pessoas geralmente ficam tristes. Então eu teria que encontrar palavras de confiança para dar a elas. "Sinto muito que isso tenha acontecido. Eu sei que deve ser difícil. Existe algo que eu possa fazer? "Você gostaria de conversar?". Coisas assim. Meu avô morreu quando eu tinha cerca de 5 ou 6 anos de idade...
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Lembro de estar sentado no colo do meu pai e ele estava chorando e eu lembro de enxugar as lágrimas do rosto dele e dizendo a ele que ficaria tudo bem. Eu entendi que meu avô se foi e que ele não voltaria. Mas ao mesmo tempo eu não entendi porque todas as lágrimas. Eu diria que acabei me tornando muito perspicaz para as pessoas. Não é algo que às vezes as pessoas... Eu não sei se você consegue, mas... As pessoas podem entrar em uma sala e meio que "sentir o clima". Sem realmente interagir ou olhar para as outras pessoas na sala. Eu não realmente consigo fazer isso. Então tenho que entrar, olhar para as pessoas... observar qualquer linguagem corporal e, a partir daí, sair dessa. Então tudo isso, basicamente, são emoções simuladas que eu estou usando. Quando foi a última vez que você se sentiu feliz? Não sei. Verdadeiramente, não sei. Quando foi a última vez que você fingiu estar feliz? Ah! O tempo todo.
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Porque as pessoas se sentem desconfortáveis. Se elas estão perto de alguém, como você não sente alegria? Seria correto chamá-lo de "sociopata"? Se você está pensando em termos científicos... "Sociopatia"... Eles meio que descartaram esse termo há algum tempo. Mas em termos que a maioria das pessoas entenderiam, eu diria que sim. Termos leigos, sim. Você deseja ter um relacionamento sério e talvez até se casar no futuro? Ainda não tenho certeza. Isso é algo que discuto comigo mesmo e não tenho 100% de certeza se quero casar e ter filhos. A noção disso parece razoavelmente agradável para mim, eu diria. Mas eu não sei se isso seria 100% possível. Porque quando você fala sobre algo romântico... É difícil fazer as pessoas entenderem que isso é... Sabe? As pessoas começam a se sentir inconsequentes quando digo que não é necessariamente...
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Não é realmente você. Tipo, se eu gosto de uma pessoa... Isso é baseado em características que eu percebo dentro delas que eu sinto que seria... Basicamente, benéficas para mim no caminho. E gostaria de explorar ainda mais essas características. Então é difícil explicar para alguém em um sentido emocional, romântico... Eu não estou conectado. Para mim, seria um senso de dever e compromisso. Então eu vou fazer coisas para você porque você é quem você é para mim. Mas as pessoas em relacionamentos, elas querem mais. Elas querem um pouco mais de você, então chega ao ponto em que... Vou colocar essa máscara para fazê-los felizes. Mas eu não posso sustentar para sempre. Então eles descobrem que há algumas inconsistências em termos de emoções. E quando você está tentando fazer alguém ver além do aspecto emocional... E apenas olhar para isso no sentido de como eu vejo isso...
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Sabe? "Eu estou comprometido com você. Eles não". É difícil explicar isso. As pessoas começam a sentir que são inconsequentes. "Não sou eu quem realmente importa". Se eu quero me conectar com alguém, como num relacionamento por exemplo... Se eu encontrar alguém que me interesse romanticamente, eu não consigo.. Eu não gosto de você da mesma maneira como as outras pessoas gostam uma das outras. Eu não sinto nenhum apego emocional a isso. Então para deixar a pessoa confortável com a falta de apego emocional, eu visto uma máscara. Eu tenho que me lembrar de dizer para os membros da minha família que amo eles. Eu tenho que lembrar de manter contato com meus amigos e coisas assim. Então pode ser desanimador se eu não estiver exagerando um pouco. Então eu quero ter certeza que estou interpretando corretamente... É quase transacional. Você vê que eles têm traços de personalidade que irão beneficiar você
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mas você também quer fazer coisas para manter esses traços de personalidade por perto porque você sabe, a longo prazo, que isso é mais benéfico do que não ter essa pessoa por perto. - Exato. - É quase como uma equação matemática? Sim, eu concordo com isso. É como se fosse uma equação matemática. Eu diria que têm, definitivamente, — como qualquer outra pessoa — algumas pessoas eu gosto mais que outras, é claro. Então, com algumas pessoas, eu me esforçaria um pouco mais. Mas, sim, isso é o que é. É transacional para mim. Pessoas, elas serão muito cautelosas com você. Qualquer com quem falo, eles são muito cautelosos comigo... - Isso é garantido? - Se é garantido? Eu diria que sim. Porque você tem que ser relativamente cuidadoso quando lida com alguém que realmente tem um transtorno de personalidade antissocial. Isso não necessariamente significa que você sofrerá uma violência física ou será ferido. Ou algo assim. Mas se essa pessoa não tiver uma ideia de como as ações dela realmente afetam outras pessoas...
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Eu diria que a probabilidade de você saber que está sendo manipulado, mesmo que pequena... Vai ser muito difícil, porque a maioria das pessoas com tendências sociopatas nem sempre formulam super esquemas para tirar proveito das pessoas. Às vezes seria só "Estou querendo conseguir meu almoço hoje, então me deixe manipular essa pessoa aqui para que eu possa ter 10 dólares para o almoço." O fato de você estar falando abertamente sobre tudo isso.. Isso significa que você não está mais preocupado em usar uma máscara. Não. Não. Eu cheguei a um ponto em que eu tive que aceitar que esse é quem eu sou. E tentar fazer muito para mudar isso, é quando eu começo ver coisas negativas surgindo. Você quer se sentir uma pessoa normal? Eu diria que eu gostaria, em certo ponto... Mas eu meio que deixei isso pra lá recentemente e isso tem me ajudado. Porque descobri que quanto mais eu tento me encaixar...
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Mais fácil fica pra mim em fazer coisas negativas. Manipular, mentir e... Ficar com raiva... Ridiculamente bravo. Qual a sua motivação para não fazer essas coisas? Eu simplesmente sinto que é caos demais que eu estou colocando no mundo. É realmente isso. Eu sinto que é caos demais e, logicamente, não é uma coisa boa. Isso é algo que você percebeu sozinho ou com ajuda da terapia? Eu diria que a terapia definitivamente me ajudou a perceber isso. Porque, conversando com minha terapeuta por dois anos, ela me ajudou a perceber que muitas das coisas que eu estava fazendo eram basicamente para interesse próprio. E em um determinado momento você precisa ter algum nível de discernimento e perceber que você está dificultando sua própria vida. O que você poderia dizer para as pessoas que machucou no passado? Eu não diria "Eu espero que você possa me perdoar".
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Eu diria que é mais para "espero que você possa se perdoar, não tem nada errado com você, você está perfeitamente bem como pessoa." Eu diria, basicamente, "eu quero que você não leve pro lado pessoal, mas não olhe como se... Sabe? Houvesse algo errado com você. Era algo que estava errado comigo basicamente." Ainda há algo errado com você? Eu luto com isso. É por isso que me limitei a certas situações. Você se sente melhor do que as outras pessoas? Sim. Definitivamente. Mas eu dou o meu melhor para meio que combater isso porque isso vem de pessoas "espertas". Você tem esse senso de... Esse senso inflado sobre si mesmo. Quase um narcisista, eu diria. Você acredita ser melhor que eu? Diria, baseado no meu sistema de crenças, que não. Simplesmente por causa do trabalho que você faz.
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Novamente, não é algo emocional. É só que fazer o trabalho que você faz... - Sabe? As pessoas se beneficiam com isso. - Qual é o seu sistema de crenças? Eu só... Certas coisas estão certas e certas coisas estão erradas. Só isso. É algo que você ensinou a si mesmo ou aprendeu na terapia? Foi uma combinação. Porque minha terapeuta me ajudaria... Ela me ajudaria a navegar por toda a confusão. Eu iria até ela com certo problema como "Eu disse isso para aquelas pessoas e elas reagiram assim comigo. Por quê? Por que isso aconteceu? Eu não entendi". "Eu pensei que estava emulando o melhor que pude". Então eu faria coisas desse tipo e ela me ensinaria a diferença entre Emulação e exagero versus... Tentar se conectar genuinamente com as pessoas. É aí que tá todo o entendimento, como mencionamos anteriormente... Alguém lhe disse que sua avó morreu... você tem que perceber e reconhecer que isso pode ser um evento horrível para as pessoas.
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Você tem medo de que, depois de compartilhar seu diagnóstico, as pessoas sejam sempre céticas com você? Não é necessariamente um medo. É um dado. Pra mim isso é um dado. Eu diria que fico mais surpreso quando as pessoas não me julgam. Você tem algum medo? Medo? Eu diria medo de ser inadequado. Esse é o principal. O medo de ser medíocre. Eu não quero morrer sentindo que não fiz nada, basicamente. E isso seria, realmente meu único medo. Como você define "inadequado"? Apenas não tendo nenhum benefício para o mundo, basicamente. Você acha que a maioria das pessoas são inadequadas? Não vou dizer a maioria porque existem muitas pessoas no mundo e eu não conheci a maioria. Mas eu diria que sim. Há uma boa quantidade de pessoas no mundo que eu diria que são inadequadas.
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É por isso que você está bem com a manipulação? Porque você que muitas pessoas são inadequadas. Não. Essa não é a razão principal. Mesmo que eu veja uma pessoa como adequada e eu ainda sou capaz de manipula-las... Isso é como um bônus. Quer dizer, somos todos motivados. Nós somos um pouco narcisistas. - Nós somos todos um pouco... Sabe? [inaudível] - Mas até onde isso vai, de... a quantidade típica de narcisistas, a quantidade típica de quem se auto condiciona para... Ter um transtorno de personalidade antissocial. Eu não posso falar. Mais uma vez, seria como uma base de pessoa pra pessoa. Mas são características que todos nós temos. Para você sobreviver no mundo, você precisa ser um pouco narcisista. Todo mundo faz coisas que são egoístas. Comer e beber são ações egoístas. Nós estamos literalmente matando o planeta com nossos hábitos alimentares, por exemplo. Nós estamos matando o planeta com nossos hábitos de transportação. Pessoas fazem coisas que servem a si mesmas, mas não é inerentemente uma coisa ruim.
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Contanto que as coisas egoístas que você está fazendo não... Não resultem em resultados negativos para outras pessoas e para você. Então, o que faz você se importar com um impacto negativo em outras pessoas? Isso é intrínseco? Não. É só uma questão de... Você está causando problemas desnecessários para outras pessoas. E eu vejo de uma perspectiva lógica porque muito trauma é transmitido. Então, se eu faço alguma coisa para você, por exemplo, e você carrega isso pro resto da sua vida... Eu não sei se você tem esposa ou filhos, mas digamos que tem... E agora o seu trauma do evento que você teve comigo filtra naquilo. Agora sua esposa começa a ter um nível de trauma, seu filhos começam a ter um nível de trauma. Outras pessoas que estão mais próximas de você começam a obter um nível de trauma. Qualquer pessoa que você conheça é possível que aconteça a mesma coisa. Então eu vejo por essa perspectiva. Não é uma coisa emocional. É realmente uma coisa lógica. Como era antes de você ser tão consciente?
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Eu diria que foi muito... Foi muito confuso. Muito confuso. Porque eu não entendia porque eu não sentia como as outras pessoas sentiam. Eu também costumava fazer coisas que seriam categorizada como "perseguição de sensações". Então... Você sabe... Você se envolveria em atividades ilegais, por exemplo. E se você não for pego, é uma correria. É uma correria não ser pego fazendo algo. Há coisas que eu costumava fazer. Mentindo e manipulando as pessoas, me dava a sensação de poder de certa maneira. Porque eu não posso necessariamente sentir nada do meu jeito. Então me dava a sensação de poder saber que eu podia controlar os sentimentos das outras pessoas. Você pensa que vai manipular alguém no futuro? Não. Não na medida que eu fazia isso antes.
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Eu posso me ver fazendo isso se estiver envolvido em um negócio. Talvez fosse ser um benefício pra mim te usar para erguer um limite. Sabe? Coisas assim, que é uma manipulação, só que... Pode ser a maneira que nossas mentes foram coletivamente treinadas pela mídia... Mas quando você diz isso, meu primeiro pensamento é: "Isso é o que um manipulador diria". Eu deveria perder esse ceticismo? Deve o espectador perder esse ceticismo... ao interagir com alguém com transtorno de personalidade antissocial? Você deve conhecê-los, como eu disse. Eu tive meus amigos amigos entre 8 e 13 anos Então eles não estão muito preocupados com isso porque sabem... Eles basicamente sabem que é uma relação que tem sido pré existente. As pessoas que estão perto de mim, eu não realmente faço nada para incomodar essas pessoas. Porque isso não é benéfico pra mim, perturbar as pessoas que estão perto de mim. Você teve ou você tem um risco de ser violento?
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Se você cruzar certos limites, com certeza. Definitivamente. Eu posso chegar em um momento onde eu desligo porque, digamos, chegamos em uma discussão acalorada... e você está gritando e gritando. Eu provavelmente acabaria batendo em você. Eu não vou falar muito. - Qual é essa linha pra você? - Não tolero desrespeito de nenhuma forma. Essa é a principal coisa que me deixa com raiva mais rápido. O que você percebe como desrespeito? Se você mostrar qualquer desrespeito por mim, basicamente. Então, tipo, as mesmas coisas que eu faria com outra pessoa, mais ou menos. Mas isso é uma coisa de ego na qual estou trabalhando. Então, não quero dizer isso com desrespeito... mas seria correto chamá-lo de hipócrita então? Me chamar de hipócrita? Eu diria que sim, de certa forma. E é exatamente porque eu quero trabalhar meus problemas e ser mais positivo. É por isso que eu faço o meu melhor agora para não manipular as pessoas e mentir para elas.
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E coisas assim, porque eu sei que se alguém fizesse isso comigo... Sabe? Dependendo... Mais uma vez, depende do contexto também... Depende do que realmente está em jogo. Como você explicaria como é ter seu diagnóstico... Para alguém que tem o típico alcance de emoções? Eu compararia com o primeiro momento em que você acorda de manhã. E o mundo é apenas uma tela vazia. E não há muita coisa acontecendo, então você é super neutro. É assim que eu descreveria. Como você se vê? Eu apenas me vejo como bastante normal, bastante comum. Eu acho que a mídia é sensacionalista demais para transtornos de personalidade antissocial em geral. Eles fazem parecer que a maioria de nós somos assassinos e estamos fora da dobradiça. Que, em alguns casos, casos raros, sim, isso pode ser verdade. Mas a maioria das pessoas...
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Porque todos os problemas de saúde mental existem em um espectro então a maioria das pessoas que você verá exibindo essas características, terá bom funcionamento. Campos de carreira como médicos, CEOs, advogados... Normalmente você os vê se envolver nesses campos, porque muitas dessas coisas são lógicas. Não é realmente emocional e a maneira como você lida com as pessoas, novamente, não é emocional. É tudo logicamente, então você encontrará pessoas como eu nesses campos. Você tem orgulho de si mesmo por alguma coisa? Quero dizer, eu tenho um senso de orgulho... Eu diria que estou orgulhoso de mim por estar sentado aqui agora porque isso não é algo que eu normalmente faria. Tenho certeza que até as pessoas que eu conheço e as pessoas da minha família vão assistir... e eles podem se surpreender ao saber que tenho certos problemas. O que você gostaria de dizer para aqueles que estão perto de você... que estão aprendendo sobre isso pela primeira vez? Ainda sou eu. Sabe? Espero que eles não se ofendam com nada do que eu digo.
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Muitas pessoas... Sabe... Eu só contei sobre isso pra talvez duas pessoas. E as pessoas normalmente tiveram reações adversas a isso. Porque as pessoas começaram a sentir "Oh, bem, você não se importa comigo!" E não é necessariamente o caso. Eu apenas tenho meu próprio jeito de fazer isso. Qual a coisa mais importante que alguém pode aprender com essa entrevista? Eu diria que fiz isso mais para as pessoas com transtorno de personalidade antissocial. Não fiz isso necessariamente para pessoas que não tem isso. Porque eu quero que as pessoas que sofrem com isso, busquem ajuda. Eu quero que eles aprendam a usar todas essas técnicas que usamos para mentir, manipular, machucar... Use isso para beneficiar as pessoas, porque tem um efeito coletivo. É assim que você tem que olhar pra isso. Você tem que olhar para isso de uma maneira lógica. Tem um efeito coletivo e torna sua vida mais agradável.
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As pessoas estarão mais dispostas a aceitar quem você é. E, novamente, isso não é realmente uma coisa emocional. É apenas mais fácil para você viver a vida quando não precisa se esconder constantemente nas sombras. O que você pensa quando ouve o termo sociopata? Pessoa normal sem emoções, para ser honesto. Porque isso é o que realmente seria a maioria das pessoas que tem transtorno de personalidade antissocial. É apenas a sensação que sentimos... Não recebemos muito do mundo externo. E, novamente, tudo está em um espectro, então eu não posso falar das experiências de outras pessoas. Mas eu sei minha própria experiência. É assim que é.

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