A brief history of chess - Alex Gendler

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Language: Portuguese

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Tradutor: Margarida Ferreira Revisora: António Ribeiro A infantaria de ataque avança firmemente, depois de os elefantes terem quebrado a linha defensiva. O rei tenta recuar, mas a cavalaria inimiga corta-lhe o caminho pela retaguarda. É impossível escapar. Mas isto não é uma guerra real nem é apenas um jogo. Durante os quase 1500 anos da sua existência, o xadrez é conhecido como uma ferramenta de estratégia militar, uma metáfora para os negócios humanos, e uma referência de génio. Embora os registos mais antigos do xadrez datem do século VII, a lenda diz que as origens do jogo datam de um século mais cedo. Supostamente, quando o jovem príncipe do Império Gupta foi morto em batalha, o irmão arranjou uma forma de representar a cena para a mãe enlutada. Disposto no tabuleiro "ashtāpada" 8x8 usado para outros passatempos populares,
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surgiu um novo jogo com duas características principais: diferentes regras para movimentar diferentes tipos de peças, e um único rei cujo destino determinava o resultado. O jogo foi originalmente conhecido como "chaturanga", uma palavra em sânscrito para "quatro divisões". Mas, com a sua disseminação pela Pérsia sassânida, adquiriu o seu nome atual e a terminologia — "xadrez" derivado de "shah", que significa rei e "xeque-mate" derivado de "shah mat", ou seja, "o rei está indefeso". Depois da conquista islâmica da Pérsia, no século VII, o xadrez foi introduzido no mundo árabe. Transcendendo o seu papel enquanto simulação tática, acabou por se tornar numa fonte rica de imagética poética. Diplomatas e cortesãos usavam termos do xadrez para descrever o poder político. Califas governantes tornaram-se jogadores apaixonados. E o historiador al-Mas'udi considerou o jogo como um testemunho do livre arbítrio humano
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em comparação com os jogos de azar. O comércio medieval na Rota da Seda levou o jogo para o leste e para o sudeste asiático, onde se desenvolveram muitas variantes locais. Na China, as peças do xadrez eram colocadas nas interseções dos quadrados do tabuleiro em vez de dentro deles, como no jogo de estratégia Go. O reinado do líder mongol Tamerlane viu um tabuleiro de 11x10, com quadrados de segurança chamados "cidadelas". E no "shogi" japonês, as peças capturadas podiam ser usadas pelo jogador adversário. Mas foi na Europa que o xadrez começou a assumir a sua forma moderna. No ano 1000, o jogo já fazia parte da educação da corte. O xadrez era usado como uma alegoria para diferentes classes sociais, exercendo os seus devidos papéis e as peças foram reinterpretadas neste novo contexto. Ao mesmo tempo, a Igreja mantinha suspeitas em relação aos jogos. Os moralistas alertavam contra uma exagerada dedicação aos jogos, e o xadrez esteve proibido durante um breve período em França.
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Mas o jogo proliferava e, no século XV, já tinha a forma que conhecemos hoje. A peça relativamente fraca do conselheiro foi reconvertida na rainha, mais poderosa — talvez por inspiração no aparecimento de fortes líderes femininas. Esta alteração acelerou o ritmo do jogo e, à medida que outras regras se popularizavam, apareceram tratados que analisavam aberturas e finais do jogo mais comuns. Tinha nascido a teoria do xadrez. Com a era do Iluminismo, o jogo passou das cortes reais para os cafés. O xadrez passou a ser visto como uma expressão de criatividade, encorajando movimentos ousados e jogadas dramáticas. Este estilo "romântico" atingiu o auge no imortal Jogo de 1851, em que Adolf Anderssen conseguiu um xeque-mate depois de sacrificar a rainha e as duas torres. Mas o aparecimento da competição formal no final do século XIX significou que um cálculo estratégico podia introduzir um trunfo dramático.
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E, com o aparecimento da competição internacional, o xadrez assumiu uma nova importância geopolítica. Durante a Guerra Fria, a União Soviética dedicou grandes recursos a cultivar o talento do xadrez, dominando os campeonatos durante o resto do século. Mas o jogador que superou o domínio russo não foi um cidadão de outro país mas um computador IBM chamado Deep Blue. Os computadores que jogavam xadrez estavam a ser desenvolvidos há décadas, mas o triunfo do Deep Blue sobre Garry Kasparov em 1997 foi a primeira vez que uma máquina derrotou um campeão consagrado. Hoje, o "software" de xadrez consegue derrotar consistentemente os melhores jogadores humanos. Mas, tal como o jogo que dominaram, estas máquinas são produto do engenho humano. E talvez esse mesmo engenho nos venha a guiar para sairmos deste aparente xeque-mate.

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