The Croc That Ran on Hooves

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Language: Portuguese

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Agradecimentos aos Eontologistas do mês: Jake Hart, Jon Ivy, John Davison Ng, e Steve. Em 1824, o naturalista francês Georges Cuvier tornou-se o primeiro cientista a descrever um estranho espécime de crocodiliano extinto. Mas nem ele tinha ideia de quão estranho esse animal era. O espécime era do centro da França e consistia em alguns dentes e ossos, o suficiente para dizer que era um réptil parecido com um crocodilo, mas diferente de tudo que já havia sido descoberto. Cuvier observou que os dentes eram planos e serrilhados, diferentes da forma de cone dos dentes dos crocodilianos modernos. Este réptil parecia mais equipado para rasgar a carne, do que agarrar a presa e puxar para a água como muitos crocodilianos fazem hoje. Cuvier descreveu este animal como "o crocodilo da Marga de Argenton" que soa mais pomposo em francês. Hoje, ele é conhecido como 'Boverisuchus'. Quase dois séculos depois, o corpo deste estranho réptil foi finalmente reunido, revelando que seus dentes achatados e afiados pertenciam a um dos membros mais estranhos da ordem Crocodylia. Seus membros eram mais longos do que os da maioria dos crocodilianos de hoje. E os membros posteriores eram muito mais longos do que os anteriores.
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Além disso, em vez de garras, seus dedos tinham... cascos! Muito parecido com os cascos dos primeiros cavalos. Então, sim! Era uma vez um crocodiliano com cascos, que poderia atropelar suas presa. E alguns pesquisadores acham que ele tinha outra habilidade ainda mais estranha Embora nem todos estejam certos disso. Agora, como esse pesadelo vivo, esse "crocodilo da marga" evoluiu? Basicamente, é o produto de um lote inteiro de competição familiar. Quando eu digo que 'Boverisuchus' era um crocodiliano, não quero dizer que era um crocodilo. Mas era um membro da mesma Ordem dos crocodilos, que é conhecido como Crocodylia. E qualquer coisa dentro dessa Ordem, incluindo animais modernos como aligátores e jacarés, são chamados de crocodilianos. E os membros da ordem Crocodylia estão por aí, desde o Cretáceo Superior, uns 100 milhões de anos atrás. Mas após o evento de extinção no final do Cretáceo, os dinossauros não aviários e outros grandes arcossauros se foram. E foi aí que os crocodilianos realmente começaram a diversificar e florescer, assumindo muitos dos nichos que aqueles animais deixaram vazios. Um desses grupos era a família agora extinta conhecida como Planocraniidae, crocodilianos caracterizados por viverem principalmente em terra, e não na água e por terem dentes estranhos em forma de lâmina.
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Os Planocraniidae surgiram na Época Paleocena, há cerca de 61 milhões de anos, com uma espécie da China conhecida como 'Planocrania hengdongensis'. Mas a família logo se espalhou e se diversificou. E em meados da Época Eocena, há 50 milhões de anos, seus membros poderiam ser encontrados correndo pela Alemanha e América do Norte -- incluindo o mais distribuído deles: O 'Boverisuchus'. Não importa onde vivesse, o 'Boverisuchus' geralmente não era o único crocodiliano por perto. E isso pode ter sido uma das forças evolutivas que o transformaram no pesadelo do qual se tornou. Afinal, quando muitos carnívoros estão no mesmo lugar, há competição. E quando isso acontece, às vezes você tem que inovar para se sobressair e sobreviver. Um bom exemplo é registrado em rochas carboníferas de 48 milhões de anos de um sítio fossilífero na Alemanha, conhecido como Geiseltal. Esta camada de sedimento preserva fósseis de 4 gêneros de crocodilianos além do 'Boverisuchus'. O 'Asiatosuchus', com quase 3 metros de comprimento; o mediano 'Diplocynodon'; e o pequeno 'Allognathosuchus' com cara chata e pouco mais de 0,5 metro de comprimento. Estudos dos dentes e crânios desses crocs mostrou que cada gênero se adaptou ao seu próprio nicho ecológico.
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'Asiatosuchus', por exemplo, era o maior, comia grandes peixes e às vezes emboscava mamíferos que vinham beber água do pântano. Mas o 'Diplocynodon' comia pequenos peixes e sapos. E o 'Allognathosuchus' comia mais pequenos invertebrados, como lagostins. Mas todos os três eram aquáticos, ou semiaquáticos. Eles tinham pernas curtas e caudas longas com cristas. Eles não eram adaptados a correr atrás das presas. Havia predadores em terra, mas não tantos quanto você imagina. 48 milhões de anos atrás, ursos, felídeos e canídeos não tinham evoluído. O que significa que um vasto nicho para predadores estava vazio. E a terra firme estava cheia de presas em potencial, de grandes pássaros terrestres. a cavalos do tamanho de cães. Qalquer crocodiliano que pudesse tirar vantagem desse nicho vago em terra teria boas chances de prosperar, especialmente porque já havia 3 tipos de crocodilianos patrulhando as águas. Ok, mas como o 'Boverisuchus' preencheu esse nicho? Como seus ancestrais se tornaram este predador corredor e com dentes afiados? Bem, o registro fóssil não ajuda muito nisso. Nos EUA, o 'Boverisuchus' aparece totalmente formado e pronto para correr no Eoceno Inferior. Ele aparece no registro fóssil quase simultaneamente, cerca de 55 milhões de anos atrás, no Texas, Wyoming,
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e Utah, antes de se espalhar para a Europa. E não há sinal do ancestral que daria origem ao 'Boverisuchus'. Mas podemos encontrar pistas de suas origens olhando para alguns de seus parentes modernos. Porque, o fato é que nem todos os crocodilianos modernos estão presos à água. Alguns deles ainda caçam em terra, como o jacaré-coroa -- 'Paleosuchus trigonatus'. Este jacaré não é próximo ao 'Boverisuchus' ou aos outros planocranídeos. Mas ele tem um estilo de vida semelhante. Não só tende a caçar em terra, mas, como o 'Boverisuchus', ele pode correr rapidamente por curtas distâncias. Ele também tem dentes mais parecidos com lâminas do que outros crocodilianos. Então, os pesquisadores acham que o ancestral do 'Boverisuchus' provavelmente se parecia e se comportava bastante como um jacaré-coroa. E esse ancestral teria sido preparado pela seleção natural para correr mais e morder mais forte, tornando-o mais adaptado à vida em terra. Agora, uma chave para essa transição estava em seus dentes. Os dentes chatos e serrilhados do 'Boverisuchus' e outros planocranídeos são zifodontes, e isso fez uma grande diferença em como eles podiam abater presas grandes. Muitos crocodilianos modernos arrastam suas presas para debaixo d'água. Eles têm dentes cônicos que podem prender a presa em suas bocas enquanto a afogam. Que é... Não é como eu quero morrer. Mas os crocodilianos terrestres precisavam de dentes afiados e cortantes, para infligir
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muitos danos em uma mordida, matando a presa rapidamente. O que é... Não é uma opção melhor. Agora, outra adaptação que deu a este réptil uma vantagem para a vida em terra foram... Seus membros. Como já disse, as pernas do 'Boverisuchus' eram bem mais longas que as de um crocodiliano típico. E as traseiras eram mais longas que as dianteiras. E é aqui que as coisas ficam ainda mais interessantes. E controversas. Se você já conhecia o 'Boverisuchus', ou o seu nome antigo, 'Pristichampsus', então você deve ter ouvido falar que este réptil tinha uma habilidade muito estranha: correr sobre duas pernas. Em alguns programas de TV e websites, ele tem sido descrito como sendo facultativamente bípede, o que significa que, às vezes, poderia correr sobre as pernas traseiras, para ser mais rápido. Esta habilidade foi proposta por um pesquisador na Alemanha, que pensou que suas pernas traseiras longas fariam isso possível. Afinal, muitos répteis com um plano corporal assim, são capazes de correr com duas pernas, como basiliscos e lagartos de colarinho. E se o 'Boverisuchus' realmente tivesse corrido sobre duas pernas, eu seria o primeiro a dizer que isso tornaria esse animal ainda mais assustadoramente impressionante. Ou impressionantemente assustador? Mas nós conversamos com alguns especialistas em crocodilianos, incluindo o Dr. Christopher Brochu,
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que reclassificou o 'Pristichampsus' como 'Boverisuchus'. E ele e outros não estão absolutamente convencidos. Eles argumentam que as proporções dos membros deste animal não são tão extremas como em lagartos bípedes modernos, e que seu centro de massa também estava muito à frente para que ele pudesse erguer a parte anterior do corpo. Se Boverisuchus não era bípede, eu tenho que dizer que fiquei desapontado. Mas também um tanto aliviado? De qualquer jeito, o 'Boverisuchus' tinha uma característica mais indiscutível e igualmente incomum que o ajudou a ser o mestre da vida em terra firme: seus cascos. A maioria dos crocodilianos tem dedos pontudos com garras. Mas as garras do 'Boverisuchus' eram arredondadas e rombas, muito parecidas com cascos. Praticamente a única diferença entre os cascos de 'Boverisuchus' e os cascos de suas presas, como os primeiros cavalos, era que seus cascos eram um pouco mais estreitos. Então, com seus cascos, ele seria muito melhor em dar uma arrancada e somar explosões de velocidade para pegar sua presa. E a evidência fóssil sugere que estes crocodilianos corredores eram muito bons naquilo que faziam. Vários fósseis de cavalos encontrados em Geiseltal nos anos 1950 parecem ter dentes de crocodilianos presos neles. E em outro sítio na Alemanha, há até uma mandíbula de primata com marcas de mordidas e dentes que mostram evidências de ter passado pelo trato digestivo ácido de um crocodiliano.
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Mas apesar das muitas adaptações que o 'Boverisuchus' tinha à sua disposição, não temos nenhum crocodiliano dentuço, cascudo e corredor hoje. E vou considerar isso como algo positivo. O último dos planocranídeos, uma espécie conhecida como 'Boverisuchus vorax', foi extinto entre 40 milhões e 45 milhões de anos atrás. Foi, como se costuma dizer, o fim de uma era. Mas, também foi o início de uma era de predadores mamíferos em abundância. Os primeiros membros da ordem Carnivora vagavam pela terra naquele tempo, assim como os creodontes, um grupo de mamíferos parecidos com gatos e cães ao mesmo tempo, embora não tivessem relação evolutiva com nenhum dos dois grupos. Não está claro se esses animais de sangue quente superaram os crocodilianos corredores, mas é possível. E uma grande mudança ambiental ocorria na última metade do Eoceno, graças a química da formação de montanhas. No início do Eoceno, a colisão da Placa Indiana com a placa Euroasiática formou os Himalaias, e sua lenta erosão removeu gradualmente o dióxido de carbono do ar. Estes e outros movimentos das placas tectônicas também mudaram a circulação de correntes de ar, e juntas, essas forças causaram o resfriamento do clima. A área de distribuição dos crocodilianos começou a encolher, recuando do norte dos EUA (Wyoming), para áreas mais próximas do Equador. Talvez o 'Boverisuchus', não podia competir com esses novos predadores mamíferos
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em um mundo mais frio. Crocodilianos primitivos como 'Boverisuchus' deviam muito de seu sucesso à competição dentro de sua própria linhagem, que direcionou seu desenvolvimento evolutivo após a extinção dos dinossauros não aviários. No caso do 'Boverisuchus', isso resultou em um crocodiliano que poderia correr em terra, com cascos nas patas. Mas quando confrontado com a competição fora da sua linhagem, em um mundo em rápida mudança, no fim, mesmo este réptil veloz não conseguiu persistir. Obrigado por se juntar a mim hoje no Konstantin Haase studio! E você deve ter notado que estou vestindo nossa primeira camisa Eons. Com um bolso. E você pode encontrá-la em DFTBA.com. O link está na descrição. O 'Boverisuchus' era um réptil fascinante, mas você não viu nada até aprender sobre os drepanossauros e outros estranhos répteis que exclusivos do Triássico. E você pode fazer isso aqui mesmo!

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