Are athletes really getting faster, better, stronger? | David Epstein

Are athletes really getting faster, better, stronger? | David Epstein

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Tradutor: Rui Silva Revisora: Ricardo Marcondes O lema olímpico é "Citius, Altius, Fortius." Mais rápido. Mais alto. Mais forte. E os atletas têm cumprido esse lema, rapidamente. O vencedor da maratona olímpica de 2012 correu duas horas e oito minutos. Se tivesse corrido contra o vencedor da maratona olímpica de 1904, teria vencido por quase uma hora e meia. (Risos) Todos temos este sentimento que estamos a ficar melhores enquanto raça humana, progredindo sem parar, mas não evoluímos para uma nova espécie num século. Então, o que está a acontecer? Eu quero perceber o que está por trás de todo este progresso atlético. Em 1936, Jesse Owens detinha o recorde mundial nos 100 metros. Se o Jesse Owens tivesse corrido o ano passado nos campeonatos do mundo dos 100 metros, quando o velocista jamaicano Usain Bolt tivesse terminado, Owens ainda teria 4 metros para correr. Isso é imenso, quando se fala de velocistas.
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Para dar uma noção de quanto é, quero contar uma demonstração desenvolvida pelo cientista do desporto, Ross Tucker. Imaginem o estádio do ano passado nos campeonatos do mundo dos 100 metros: milhares de fãs à espera e muito ansiosos por ver Usain Bolt, o homem mais rápido da história; "flashes" a disparar à medida que os 9 homens mais rápidos do mundo se preparam nos seus blocos de partida. E quero que imaginem que Jesse Owens está nessa corrida. Agora fechem os olhos por um segundo e imaginem a corrida. Bang! A arma é disparada. Um velocista americano sai na frente. Usain Bolt começa a apanhá-lo, ultrapassa-o e ouve-se um bip à medida que cada corredor atravessa a linha da meta. (Bips) Isto é o fim total da corrida. Podem abrir os olhos. O primeiro bip foi o de Usain Bolt. O último bip foi de Jesse Owens. Oiçam de novo. (Bips) Visto desta forma, não parece haver grande diferença, pois não? Agora considerem que Usain Bolt arrancou a partir de blocos de arranque, num tapete especialmente fabricado
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e concebido para lhe permitir correr o mais rápido que é humanamente possível. Jesse Owens, por outro lado, correu sobre carvão, as cinzas de madeira queimada. Essa superfície macia roubou bastante mais energia das suas pernas, enquanto corria. Em vez de blocos de partida, Jesse Owens tinha uma pá que usava para escavar buracos no carvão, no local da partida. Análises biomecânicas da velocidade das articulações de Owens mostram que, se ele corresse na mesma superfície que Bolt, não ficaria 4 metros para trás, ficaria a uma passada. Em vez de ser o último bip, Owens seria o segundo. Oiçam de novo. (Bips) Esta é a diferença causada pela tecnologia das pistas, e acontece em todos o atletismo. Vejamos um evento de maior duração. Em 1954, Sir Roger Bannister foi o primeiro homem a correr uma milha em menos de quatro minutos. Agora, universitários conseguem fazer isso todos os anos. Em ocasiões raras, um jovem do liceu também consegue. Desde o fim do ano passado, 1 314 homens correram uma milha em menos de quatro minutos
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mas, tal como Jesse Owens, Sir Roger Bannister correu sobre carvão macio que lhe roubou bastante mais energia às pernas do que as pistas sintéticas actuais. Consultei peritos em biomecânica para descobrir quão mais lento é correr em cinzas comparado com pistas sintéticas. O consenso é que é 1,5% mais lento. Se aplicarmos uma conversão de desaceleração de 1,5% a todos os que correram a milha em menos de 4 minutos numa pista sintética, isto é o que acontece. Apenas sobram 530. Visto por esta perspectiva, entraram no "clube da milha em menos de 4 minutos" menos que 10 novos homens por década desde Sir Roger Bannister. Ora bem, 530 é muito mais que apenas um. Em parte, é porque há muito mais pessoas a treinar todos os dias, e de forma mais inteligente. Até os universitários são profissionais no treino, comparados com Sir Roger Bannister, que treinava durante 45 minutos enquanto faltava às aulas de ginecologia. O homem que venceu a maratona olímpica de 1904 em três horas e meia, esse homem bebia veneno para ratos e "brandy" enquanto corria o percurso. (Risos) Era a ideia que tinha de drogas para melhorar o desempenho.
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(Risos) Claro que os atletas são hoje mais esclarecidos sobre drogas que melhoram o desempenho. Isso por vezes faz diferença nalguns desportos, mas a tecnologia provocou diferenças em todos os desportos, desde esquis mais rápidos a sapatos mais leves. Vejam o recorde dos 100 metros de natação livre. O recorde tem vindo sempre a descer, mas é pautado por estas descidas abruptas. Esta primeira descida, em 1956, é a introdução da inversão em cambalhota. Em vez de pararem e virarem, os atletas podiam dar uma cambalhota debaixo de água e partir de imediato na direcção oposta. A segunda descida, a introdução de caleiras nas bermas da piscina que permite que a água escorra para fora, em vez de provocar turbulência que dificulta o avanço aos nadadores. Esta última descida, a introdução dos fatos de banho de corpo inteiro e de baixa fricção. Em todos os desportos a tecnologia mudou o desempenho. Em 1972, Eddy Merckx bateu o recorde da maior distância percorrida numa hora a pedalar: 49,4 quilómetros! Esse recorde continuou a melhorar à medida que as bicicletas melhoraram e se tornaram mais aerodinâmicas
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ao longo dos anos até 1996, quando foi estabelecido em 56,8 quilómetros, cerca de mais 7 quilómetros do que Eddy Merckx pedalou em 1972. Mas em 2000, a Federação Internacional de Ciclismo decretou que todos os que quisessem bater esse recorde teriam de o fazer com o mesmo equipamento que Eddy Merckx usou em 1972. Qual é o recorde hoje em dia? 49,7 quilómetros, um total de 270 metros a mais do que o que Eddy Merckx pedalou há mais de quarenta anos. Basicamente, a melhoria neste recorde deveu-se à tecnologia. Porém, a tecnologia não é a única a coisa a elevar os atletas. Apesar de não termos evoluído para uma nova espécie num século, o fundo genético nos desportos competitivos mudou certamente. Na primeira metade do século XX, os instrutores de atletismo e os treinadores pensavam que o tipo de corpo vulgar era o melhor para todos os esforços atléticos: altura média, peso médio, independentemente do desporto.
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E isto via-se pelos corpos dos atletas. Nos anos 20, os saltadores em altura e os lançadores de martelo tinham, em média, exactamente as mesmas medidas. Mas essa ideia começou a desaparecer quando cientistas do desporto e treinadores se aperceberam que, em vez de corpos vulgares, preferimos os corpos altamente especializados que se inserem em certos nichos atléticos. Começou a ocorrer uma espécie de selecção natural, uma selecção automática dos corpos adequados para certos desportos. Os corpos dos atletas tornaram-se diferentes uns dos outros. Hoje em dia, em vez das mesmas medidas de um saltador em altura, o lançador de martelo é seis centímetros mais alto e pesa mais 60 quilogramas. Isto aconteceu por todo o mundo do desporto. Se registarmos pontos num gráfico de altura versus massa, em duas dúzias de desportos, na primeira metade do século XX, parece-se com isto. Existe algum dispersão, mas está agrupado naquele tipo de corpo médio. Depois, essa ideia começou a desaparecer, e ao mesmo tempo, a tecnologia digital — primeiro a rádio, depois a televisão e a Internet — deu a milhões ou a milhares de milhões, de pessoas um "bilhete" para consumir desempenho desportivo de elite.
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Os incentivos financeiros, a fama e a glória dos atletas de elite dispararam e atingiram o pico no pequeno escalão do alto desempenho. Isso acelerou a selecção artificial para corpos especializados. Se, actualmente, registarmos pontos nas mesmas duas dúzias de desportos, Os corpos dos atletas tornaram-se muito diferentes uns dos outros. E como este gráfico se parece com os gráficos que mostram a expansão do universo, com as galáxias a afastarem-se umas das outras, os cientistas que o descobriram chamam-lhe "O Big Bang dos Tipos de Corpos." (Risos) Em desportos como o basquetebol, em que se valoriza a altura, os atletas altos tornaram-se mais altos. Em 1983, a Associação Nacional de Basquetebol assinou um acordo inovador tornando os jogadores parceiros da liga, com direito a quotas das receitas de bilheteira e a contratos de televisão. De repente, todos os que podiam ser jogadores da NBA quiseram sê-lo. As equipas começaram a explorar o mundo em busca de corpos que podiam ajudar a vencer campeonatos. Quase de um dia para o outro, a proporção de homens na NBA que tinham pelo menos 2,13 metros aumentou em 10 por cento. Hoje em dia, 1 em cada 10 homens na NBA
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mede pelo menos 2,13 metros. Mas um homem com 2,13 metros é extremamemente raro na população em geral. Tão raro que, se vocês conhecem um americano, entre os 20 e os 40 anos, que meça pelo menos 2,13 metros, há uma probabilidade de 17 por cento de que ele está a jogar na NBA neste momento. (Risos) Ou seja, procurem seis homens com mais de 2,1 metros, um deles está a jogar na NBA neste preciso momento. Não é só nisso que os corpos dos jogadores da NBA são especiais. Este é o "Homem Vitruviano" de Leonardo Da Vinci, o das proporções ideais, com a envergadura dos braços igual à altura. A envergadura dos meus braços é igual à minha altura. A vossa provavelmente também é quase igual. Mas isso não acontece com os jogadores da NBA. A média dos jogadores da NBA é de cerca de 2 metros, mas a envergadura dos braços mede mais de 2,1 metros. Além de serem ridiculamente altos, são ridiculamente compridos. Se Leonardo quisesse desenhar o jogador da NBA vitruviano, ia precisar de um rectângulo e uma elipse, e não de um círculo e um quadrado. Portanto, em desportos em que se valoriza o tamanho grande, os atletas grandes tornaram-se maiores.
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Ao invés, em desportos em que a estatura menor é uma vantagem, os atletas pequenos tornaram-se mais pequenos. A ginasta feminina de elite diminuiu, em média, de 1,6 metros para 1,45 metros ao longo dos últimos 30 anos, o que melhora o seu rácio potência-peso e as suas piruetas aéreas. Enquanto o grande fica maior e o pequeno fica mais pequeno, o estranho fica ainda mais estranho. O comprimento médio do antebraço de um jogador de pólo aquático, em relação ao comprimento total do braço, ficou maior, o que ajuda nos remates poderosos. Enquanto os grandes ficam maiores, os pequenos ficam mais pequenos, e os esquisitos mais esquisitos, na natação, o tipo de corpo ideal é um tronco longo e pernas curtas. É como um casco comprido duma canoa para velocidade sobre a água. E o contrário é vantajoso na corrida. Queremos pernas longas e um tronco curto. Isto revela-se nos corpos dos atletas de hoje. Aqui vêem Michael Phelps, o melhor nadador da história, ao lado de Hicham El Guerrouj, o detentor do recorde mundial da milha. A diferença nas alturas destes homens é de 18 centímetros mas, devido ao tipo de corpo favorecido nos seus desportos, usam calças com o mesmo comprimento.
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18 centímetros de diferença na altura, e estes homens têm pernas com o mesmo comprimento. Nalguns casos, a procura de corpos que podem melhorar o desempenho atlético acabou por introduzir no mundo da competição populações que dantes não competiam, como os corredores quenianos de longa distância. Achamos que os quenianos são grandes maratonistas. Os quenianos acham que os da tribo kalenjin são grandes maratonistas. Os kalenjin constituem apenas 12% da população queniana, mas são a grande maioria dos corredores de elite. Normalmente, em média, têm uma fisiologia única: pernas muito longas e muito finas na extremidade. Isso deve-se à sua linhagem oriunda de latitudes muito baixas, num clima muito quente e seco, e a uma adaptação evolucionária para isso: têm membros muito compridos e muito finos na extremidade, para efeito de arrefecimento. É por isso que os radiadores têm espiras longas, para aumentar a área de superfície, em relação ao volume, para deixar o calor sair. Como as pernas são como um pêndulo, quanto maior e mais fina for a extremidade, mais eficiente se torna movê-la, em termos energéticos.
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Para sublinhar melhor o sucesso na corrida da tribo kalenjin, considerem que, em toda a história da maratona, só 17 americanos correram mais rápido do que 2 horas e 10 minutos. Isso é um ritmo de 4 minutos e 58 segundos por milha. Mas 32 homens kalenjin fizeram isso em Outubro passado. (Risos) E estamos a falar de uma população com o tamanho da área metropolitana de Atlanta. Porém, as alterações da tecnologia e do fundo genético nos desportos não são responsáveis por todas as mudanças no desempenho. Os atletas têm uma mentalidade diferente de antigamente. Já viram algum filme, em que alguém apanha um choque eléctrico e é projectado para o outro lado da sala? Não existe nenhuma explosão. É o impulso eléctrico que faz com que todas as fibras musculares se contraiam ao mesmo tempo e projetam a pessoa para o outro lado da sala. Essencialmente ela está a saltar. Esse é o poder contido no corpo humano. Mas, normalmente não conseguimos exercê-lo na totalidade. O nosso cérebro actua como um limitador, impedindo-nos de exercer todo o nosso potencial físico, porque nos poderíamos aleijar, rasgando tendões ou ligamentos. Mas quanto mais aprendemos sobre como esse limitador funciona,
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mais aprendemos sobre como desligá-lo... um bocadinho, nalguns casos, convencendo o cérebro de que o corpo não correrá perigo de morte se for puxado ao limite. Os desportos de resistência e de ultra-resistência são um óptimo exemplo. Dantes pensava-se que a ultra-resistência era prejudicial à saúde humana, mas agora sabemos que temos estas características que são perfeitas para a ultra-resistência: Sem pêlos corporais; uma abundância de glândulas de suor que nos mantêm frescos enquanto corremos; cinturas estreitas e pernas longas, em comparação com a nossa estrutura; grande área de superfície de tendões, para absorção de choques. Temos um arco no pé que funciona como uma mola, dedos dos pés pequenos, melhores para impulsionar do que para agarrar ramos de árvores. Quando corremos, podemos virar o tronco e os ombros desta forma, mantendo a cabeça direita. Os nossos primos primatas não conseguem fazer isto. Têm de correr assim. Temos grandes músculos nas nádegas, que nos mantêm na vertical quando corremos. Já viram o rabo de um macaco? Eles não têm nádegas porque não correm na vertical. À medida que os atletas perceberam que estão adequados para a ultra-resistência, conseguiram feitos
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que dantes se consideravam impossíveis. Atletas como o corredor de resistência espanhol Kílian Jornet. Aqui temos Kílian a subir o Matterhorn... (Risos) ... com uma camisola atada à cintura. É tão íngreme que ele nem consegue correr. Está a subir puxando por uma corda. Isto é uma subida vertical de mais de 2,4 quilómetros. Kílian subiu e desceu em menos de três horas. Fantástico! Apesar de ser talentoso, Kílian não é um monstro fisiológico. Agora que ele o fez, também se seguirão outros atletas, tal como outros atletas se seguiram depois de Sir Roger Bannister ter corrido a milha em menos de 4 minutos. Mudanças na tecnologia, mudanças nos genes e mudanças na mentalidade. A inovação nos desportos, seja em novas superfícies de pistas ou novas técnicas de natação, a democratização do desporto, a expansão para novos corpos e para novas populações espalhadas pelo mundo e a imaginação no desporto, uma compreensão daquilo que o corpo humano é capaz de atingir, levaram os atletas a tornarem-se mais fortes, mais rápidos, mais audaciosos e melhores que nunca.
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Muito obrigado. (Aplausos)

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